terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O Diabo também é crente?


“Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o creem e estremecem”.
(Tiago 2.19, ACF).

Quem nunca ouviu a expressão: “Eu sou cristão; porque crente, até o Diabo é!”? Confesso que, no início de minha conversão, eu também afirmava tal coisa, embora com o tempo me convencesse de que isso não passava de um jargão incoerente. Sim, querido leitor, o príncipe deste mundo jamais foi, é ou será um crente em Jesus!

“Mas o versículo acima (Tg 2.19) declara claramente que até os demônios creem em Deus, portanto, são crentes! Como você diz que eles não são?”, poderá questionar alguém. Bom, na verdade, o texto diz que eles creem que existe um só Deus, e não que creem em um só Deus. Eles sabem perfeitamente Quem é Cristo, como vemos no episódio em que o Mestre ensinava na sinagoga em Cafarnaum:

“E estava na sinagoga deles um homem com um espírito imundo, o qual exclamou, dizendo: “Ah! Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus. E repreendeu-o Jesus, dizendo: cala-te e sai dele”.
(Marcos 1.23-25)

Crer que Jesus é o Senhor é absolutamente diferente de crer em Jesus como Senhor. Todos os seres humanos, inclusive ateus e adeptos de religiões não-cristãs ou pseudocristãs, um Dia, terão de reconhecer Sua existência, majestade, poder e senhorio, como está escrito:

“Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai”
(Filipenses 2.9-11. Ver Isaías 45.23)

Toda a humanidade se dobrará diante do Todo-Poderoso e comprovará - alguns, tarde demais – que Ele existe e O confessarão como o Único Deus Verdadeiro! Os politeístas reconhecem vários deuses, enquanto os céticos negam que haja qualquer deus. Ambos se surpreenderão quando verem os céus se enrolando como um rolo de pergaminho, e a terra entrar em violenta convulsão. Então, implorarão aos montes e aos rochedos: “Caiam sobre nós, e escondam-nos do rosto Daquele que está assentado sobre o Trono, e da ira do Cordeiro; porque é vindo o Grande Dia da Sua ira; e quem poderá suportar?” (cf. Ap 6.16,17).

Deveríamos, então, dizer que o Diabo é crédulo, pois crê (reconhece) que existe um só Deus. Mas eu não ousaria sustentar que ele seja um crente. Por quê?


Primeiramente, porque o Novo Testamento usa a palavra “crente” (gr.  πιστός , pistós) para se referir àqueles que creram em Jesus como Senhor e Salvador, que depositaram sua fé Nele, e que confiaram no Seu sacrifício redentor. “Crente”, biblicamente (e não etimologicamente) falando, é sinônimo de “justo” (Sl 64.10), “servo do Senhor” (Sl 86.2), “fiel” (At 16.15), “chamado” (Rm 8.28,29), “santificado” (Jd v.1), etc. Resumindo, todo aquele que confia no Senhor, e se entrega a Ele, e é por Ele salvo da ira; enfim, todo o que crê Nele para a salvação, de acordo com as Escrituras, é um crente! Satanás não é crente, pois não preenche tais requisitos. Ele é um demônio, um ser perverso e cheio de todo o ódio e mentira.

Todo o aquele que crer será salvo. “Abraão creu em Deus e isto lhe foi imputado como justiça” (Rm 4.3). Está claro que tal fé não é apenas um sentimento intelectual, uma crença na divindade como divindade, mas uma real confiança nas promessas do Senhor e, por extensão, na promessa messiânica (Hb 11.17-19). Ele é o pai da fé. Daí o apóstolo afirmar que os que são da fé são benditos com o crente Abraão (Gl 3.9). Lídia, a vendedora de púrpura que foi salva ao ouvir a Palavra de Deus e ter o coração aberto para crer, após ser batizada, disse a Paulo e a seus companheiros: “Se os senhores me consideram uma crente no Senhor, venham ficar em minha casa” (Atos 16.15, NVI). Minha pergunta é: Poderíamos comparar o príncipe das trevas com Abraão e Lídia, de acordo com o que as Escrituras dizem desses servos de Deus?

Em segundo lugar, eu não chamaria o Diabo de crente porque isso descaracteriza e desmerece ainda mais o termo, o qual vem caindo em depreciação há tempos. Sim, antigamente, os protestantes foram chamados de “crentes” pejorativamente, de modo zombeteiro, por aqueles que discordavam da simplicidade do Evangelho de Nosso Senhor e da gloriosa doutrina da justificação pela fé. Os que procuravam viver segundo a fé das Santas Escrituras eram ridicularizados como “loucos”, “santarrões”, e outros apelidos para lá de maldosos, doados gratuitamente pelos filhos deste mundo. Não ignoro que o mal testemunho de alguns que se diziam “crentes” envergonhou a muitos de nossos pais e fortaleceu a chacota e a rejeição dos escarnecedores que sempre procuraram motivos para se manterem bem distantes do caminho estreito. É verdade, havia (e ainda há) inúmeros homens e mulheres que, como o ex-mágico Simão, creem apenas aparentemente (At 8.13) e fazem uma bela profissão de fé com seus lábios; mas, se pudéssemos sondá-los, um a um, e colher seus frutos para um exame mais sério, teríamos que admitir com franqueza: “Tu não tens sorte nesta palavra, porque o teu coração não é reto diante de Deus... Pois vejo que estás em fel de amargura, e em laço de iniquidade” (vv. 21,23). Portanto, se o mundo nos ridiculariza por sermos crentes, embora haja falsos cristãos em nosso meio, deixemos que falem mal do que não entendem e oremos para que Deus lhes abra os olhos e lhes perdoe. Todavia, jamais façamos o seu jogo sujo de macular um adjetivo tão belo, o qual o próprio Espírito Santo nos quis dar em Seu precioso Livro.

E, por fim, devemos rejeitar a falácia que o Diabo é crente porque isso deriva de uma distorção sutil do texto de Tiago 2.19, movida pela rejeição do termo bíblico “crente” (gr. pistós). E sabemos que sobre aqueles que fazem tal loucura virá grande condenação (Jr 23.36; 2 Pe 2.1-3; 3.16). O contexto desse versículo fala sobre a falsa fé, aquela que fica apenas nas palavras, mas que não pode ser comprovada em atos: “Assim, também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (v. 17). De nada adianta possuirmos uma boa confissão doutrinária, uma profissão de fé dos lábios apenas, e uma teologia impecável; se tais coisas não puderem ser convertidas em obras, isto é, atitudes que evidenciem nossa real conversão. Não somos salvos por nossas boas obras, mas Deus nos salvou por Sua graça e nos criou em Cristo Jesus para praticarmos essas boas obras: “... mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras” (v. 18 b). Daí Tiago ter ironizado: “Você crê que existe apenas um Deus? Você faz bem, pois até mesmo os demônios acreditam e tremem!”. Então, ele conclui: “Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem obras é morta?” (v. 20). Que terrível, não? Até os anjos caídos podem sustentar um credo doutrinário, mas jamais podem crer em Jesus para a salvação e se tornarem crentes. Sim, você é um crente se com tua boca confessares ao Senhor Jesus, mas somente quando também no teu coração crer (Rm 10.9). E se teu coração realmente creu, provas genuínas surgirão a partir daí, segundo a operação do Espírito Santo em você, comprovando por obras de justiça sua viva fé no Cristo Crucificado (Ef 2.1-10).

Paremos, pois, de repetir o bordão: “Eu sou cristão; porque crente, até o Diabo é!”. Isto é uma mentirinha com aparência de verdade. O Maligno já está condenado (Jo 16.11), mas todo aquele que crer será salvo (Jo 3.15; At 16.31). Lembremo-nos da exortação do nosso Salvador ao inconverso Tomé: “Não sejas incrédulo, mas crente” (Jo 20.27). Deixe o mundo nos chamar de crentes loucos, pois nós o somos mesmo, e com o maior prazer:

“Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas, para nós que somos salvos, é o poder de Deus... Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação
(1 Coríntios 1.18,21)

Aleluia!

Em Cristo Jesus,


PH

2 comentários:

  1. Oi Pedrão

    Paz

    Bela mensagem
    Como foi de festas?
    Jesus esteve lá?
    Saudares saudosos
    Alberto

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Amado Alberto, a Paz! Quanto tempo, né? Graças a Deus, tivemos boas festas em família, e apesar dos pesares, Jesus esteve com Seus olhos sobre nós. E o senhor, como vai? Também sinto saudades. Obrigado pelas palavras sobre o artigo, meu amigo. Um abraço forte! PH

      Excluir

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PH

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